Blog de Música
14 de Janeiro de 2012

Letra e Música de Sérgio Godinho
Álbum Pré-Histórias 1972

Nunca vivi nada em vão
cada qual sabe do que tem
ninguém pertence a ninguém
seja inimigo ou irmão

Seja inimigo ou irmão
temos a nortada na pele
a discutir do farnel
já se perdeu muito pão

Já se perdeu muito pão
e as bocas ainda a sonhar
a ver esperanças no ar
quando há certezas no chão

E para aqui estamos em salamaleques
a lamber mãos feitas para abanar leques
a pedir bis, a gritar bravo
a aplaudir, muito bem
e até domingo que vem

Nunca vivi nada em vão
vi muita palavra tornar-se
em tanta gente um disfarce
e em muita boca traição
E em muita boca traição
e em cada de nós um olhar
se nos vierem falar
sabemos quem eles são

sabemos quem eles são
como quem sabe de si mesmo
o medo, a vida desfez-mo
à letra me tomarão

E para aqui estamos em salamaleques…

Sabemos já d’antemão
quem nasceu p’ra viver de luto
a flor de Junho dá fruto
a homem sozinho é que não

O homem sozinho é que não
que o diga quem quase morreu
a perguntar “Quem sou eu”
e a viver da solidão

 

E a viver da solidão
fomos pouco a pouco fazendo
a nossa cova no vento
abrigados num caixão

 

E para aqui estamos em salamaleques...

publicado por Correcaminhos às 13:26
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06 de Fevereiro de 2011

 

QUE PARVA QUE EU SOU

Deolinda
Música e letra: Pedro da Silva Martins

 

Sou da geração sem remuneração

E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

publicado por Correcaminhos às 14:29
11 de Janeiro de 2010

 Jandira Silva

 

P'ra quê discutir com Madame


Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora
Por causa do samba
Madame diz que o samba tem pecado
Que o samba é coitado
Devia acabar
Madame diz que o samba tem cachaça
Mistura de raça, mistura de cor
Madame diz que o samba é democrata
É música barata
Sem nenhum valor


Vamos acabar com o samba
Madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que o samba é vexame
P'ra que discutir com Madame


No carnaval que vem também concorro
Meu bloco de morro vai cantar ópera
E na avenida entre mil apertos
Vocês vão ver gente cantando concerto
Madame tem um parafuso a menos
Só fala veneno
Meu Deus que horror
O samba brasileiro, democrata
Brasileiro na batata é que tem valor.

 


Este samba da autoria de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida, de 1956, incorporado ao repertório de João Gilberto com sotaque de bossa nova, não é só mais uma canção valorizando o samba e dando de ombros para aqueles que costumam desdenhar do gênero.
A referida Madame que afirma ser o "samba música barata, sem nenhum valor" realmente existiu. Magdala da Gama de Oliveira, tornou-se conhecida como crítica de rádio, escrevendo numa coluna do jornal Diário de Notícias (durante três décadas foi um dos mais importantes jornais do país. Lidera a circulação no Rio de janeiro e ganha a fama de um veículo de opinião livre e independente, atingindo um alto padrão de credibilidade) e assinando com o pseudônimo de Mag. Mag, conseguiu entrar para a história da MPB, pelos ataques deferidos contra o samba. De acordo com os opositores de Madame a intenção da autora era diminuir o samba, desclassificá-lo como música brasileira. 
Fonte: FACOM FAAP

publicado por Correcaminhos às 11:30
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09 de Novembro de 2009

Nova feira da ladra - Sara Tavares

Frederico de Brito
José Carlos Ary dos Santos


É na Feira da Ladra que eu relembro
uma toalha velha, toda em linho
que já serviu uma noite de Dezembro
e agora cheira a Setembro
como o Outono sabe a vinho
Não valem muito mais que dois pintores
os quadros das paisagens
que eu já sei
mas valem, pelos frutos, pelas flores
que em São Vicente das Dores
fora de mim, eu pintei

O que é que eu vou roubar à Feira
Um beijo de mulher trigueira
Aqui um coração, ali uma gravura
É a Feira da Ladra ternura
O que é que eu vou trazer da Feira
Um corpo de mulher braseira
Aqui está um lençol, bordado como dantes
Esta Feira da Ladra é dos amantes

E na Feira da Ladra nos vingamos
dum pouco desse tempo que morreu
Em cada botão velho que compramos
há sempre uma corja de amos
que em Abril, Abril venceu
Agora não compramos velharias
tudo passado é lastro do futuro
Nascemos para o sol todos os dias
na nossa Feira da Ladra
já não há ladrões no escuro

O que é que eu vou roubar à Feira
Um beijo de mulher trigueira
Aqui um coração, ali uma gravura
É a Feira da Ladra ternura
O que é que eu vou trazer da Feira
Um corpo de mulher braseira
Aqui está um lençol, bordado como dantes
Eis a Feira da Ladra dos amantes

publicado por Correcaminhos às 13:03
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06 de Agosto de 2009


Foto recente de Midus, a cantora do Roquivários.
Ver mais: O Elogio da Loucura
Foto: Rock em Portugal

 


Abriste uma excepção só para ele
A vida tem destas coisas
Pensaste que para ti era um amigo
Mas não te via assim

Dizes que te guardaste só para ele
Ficaste sempre à espera
Estás cansada de tanto tempo a esperar
Agora és uma fera

Cristina não vais levar a mal
mas beleza é fundamental
Cristina não vais levar a mal
mas beleza é fundamental

Essa imagem da tua cama está
Ainda bem real
E as coisas que me contaste têm para ti
valor emocional

Hoje tu não precisas de protecção
És dona de ti mesmo
Já não tens que ter medo da escuridão
Nem de te deitares cedo

Cristina não vais levar a mal
mas beleza é fundamental
Cristina não vais levar a mal
mas beleza é fundamental 
 

publicado por Correcaminhos às 16:54
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