Blog de Música
03 de Novembro de 2005

 

Foto e texto na Edição On-line do Diário de Notícias da Madeira Julho 2005

ORQUESTRA CLÁSSICA DA MADEIRA À ESPERA DE SALA PARA CRESCER

Acústica dos espaços é fundamental para a progressão das formações e, na Região, ainda não existe um espaço adequado, diz o maestro Rui Massena é o director artístico e maestro titular da Orquestra Clássica da Madeira desde 2001. Natural de Vila Nova de Gaia, formou-se em piano e licenciou-se em Direcção de Orquestra, na classe de Jean Marc-Burfin. Depois seguiu-se o aperfeiçoamento musical, feito em França e Itália. Além do cargo que o ocupa a tempo inteiro na OCM, tem regularmente dirigido outras formações, em Portugal, Bélgica, Espanha e Itália.

DIÁRIO – Como caracteriza a última temporada da OCM?
Rui Massena – Este ano foi dedicado sobretudo a um repertório do período clássico em contraste com o que temos feito nas últimas temporadas. Em termos estritamente técnicos, Mozart e Haydn obrigam-nos a uma transparência sonora e a uma clareza técnica, muito úteis para a nossa manutenção e crescimento interpretativo.

DN – E como é que o público respondeu?
RM – Quero pensar que sob o ponto de vista do público, tem sido importante que a OCM em cinco anos tenha repetido muito poucas obras, e continue a ter a coragem de se aventurar em repertório difícil e sempre novo.

DN – Têm tentado dar também algo diferente, com as novas apostas, por exemplo, na combinação da Orquestra Clássica com outros estilos de música, como a de Carlos do Carmo e Rui Veloso...
RM – Sem dúvida. Somos a primeira Orquestra Portuguesa a instalar uma Temporada Popular, mais vocacionada para a junção de sonoridades diferentes ao universo da Orquestra.

DN – Estão a tentar captar novos públicos, cativar outras pessoas?

RM – É, tem sido uma das nossas apostas. Nesse aspecto tivemos concertos importantes.

DN – Correram bem?
RM – Correram muito bem. Tanto a Orquestra, que toca para muitas mais pessoas do que habitualmente e sente-se compensada de uma forma muito maior pelo seu trabalho; como, julgo, para o público, que percebe que afinal tem aqui um mundo novo para poder descobrir. Com eles acredito que damos passos importantes para que novos ouvintes se interessem pela música orquestral. Gostaria ainda de lhe dizer que a captação de novos públicos passa ainda pela vertente das animações escolares que temos feito semanalmente, onde os professores da OCM vão às escolas e tocam para as crianças no sentido da sensibilização para a música, para os instrumentos. Este ano continuamos a política de descentralização, com concertos fora do Funchal.

DN – E as pessoas têm aderido?
RM – Existem situações contrastantes. Há alturas em que as câmaras se envolvem e de facto temos casa cheias e temos outras em que as câmaras, as organizações não se empenham tanto e que há mais dificuldade, passa mais despercebido o concerto. Mas temos insistido e continuamos a insistir nesta ideia de descentralização. É fundamental. Faz parte da política da OCM.

DN – Os Da Weasel são um desafio ainda maior...
RM – A ligação aos Da Weasel será outro grande desafio em termos orquestrais porque a música é realmente diferente daquilo que estamos habituados a fazer.

DN – Será mais chegado à vossa música ou à deles?
RM – É uma mistura dos dois, mas sendo que a Orquestra terá um papel completamente diferente do que teve até aqui, mas isso também nos enriquece.

DN – Há mais alguém com quem gostassem de tocar?
RM – Claro que há muito mais gente com quem gostaríamos de trocar experiências, e a ideia é no próximo ano continuar este caminho.

DN – Podemos avançar mais algum nome?
RM – No seu tempo... até porque isto são projectos que têm de ser amadurecidos. A escolha tem de ser bem feita, para que as coisas resultem.

DN – E o projecto de gravação?
RM – São seis discos. Uma pequena colecção dedicada a Mozart e à comemoração dos 250 anos do seu nascimento no próximo ano.

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DN – Comparando com outras orquestras, ainda há muito a fazer?
RM – Existem no mundo orquestras melhores, e nesse sentido percebo qual é o caminho que temos de percorrer aqui, mas também há muitas outras bem inferiores e com nome e projecção. A questão acústica com que trabalhamos é um ponto fundamental para o crescimento da Orquestra. A Orquestra precisa de ter um enquadramento acústico durante os seus dias de ensaio e concerto ainda mais colado àquilo que as organizações sonoras do compositor pedem.

DN – E nós temos boas salas?
RM – Não, ainda não há boas salas nesse sentido. Julgo que isso é uma necessidade para a música na Madeira. Encontrar de facto salas com características, com acústica própria para a música, para que o receptor e o emissor tenham o conforto total, para que seja aquilo que o músico quer passar e para que o ouvinte se sinta envolvido. A música erudita vive da organização sonora, vive de instrumentos só acústicos, depende inteiramente da sala.

DN – A orquestra já está formada ou há lugar para novos valores?
RM – Estou sempre atento a novos músicos. Algumas semanas por ano, sempre que a OCM precisa de se reforçar para um concerto, três ou quatro jovens músicos madeirenses de grande talento são os primeiros a ser chamados. Vivem fora da ilha mas vêm para tocar. É um exemplo, entre outros. Temporada da OCM em números A Orquestra Clássica da Madeira realizou ao longo da última temporada, período compreendido entre Setembro de 2004 e Julho de 2005, 150 concertos. No total, cerca de 30 mil pessoas ouviram a formação regional ao vivo, nestes espectáculos. Com o projecto de animações escolares, em que os professores da OCM vão às escolas e tocam para as crianças, numa acção de sensibilização para a música e para os instrumentos, chegaram a 12 mil alunos do universo escolar. Ao todo, a Orquestra Clássica da Madeira é composta por 52 músicos de várias áreas. Dentro da OCM existem ainda sete grupos que contribuem para a divulgação da música erudita. Em Novembro, a Orquestra vai gravar seis CDs para assinalar os 250 anos do nascimento de Mozart.

publicado por Correcaminhos às 12:56
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