Blog de Música
12 de Setembro de 2006

Prof. Luciano Lombardi - Recital em Itália - 2006

Luciano Lombardi
nasceu na cidade italiana de Piombino em 1963. Discípulo do célebre Alirio Diaz, fez o Curso Superior de Guitarra no Conservatório "Santa Cecília", de Roma. Estudou em Siena com Achille Lemmi, Cláudio Scala e Lorenzo Fattorini, na Universidade. Também trabalhou com o famoso compositor Ennio Morricone na Accademia Chigiana. Reside em Portugal desde 1997.
É Professor de Guitarra no Conservatório de Música da Madeira, sendo por todos reconhecido pelo seu rigor e competência.


Correcaminhos
: No contexto internacional como analisa a situação da Guitarra Clássica, em termos de concertos, concursos, discos, público e guitarristas de prestígio internacional?
Prof. Luciano Lombardi: Internacionalmente a guitarra, na sua vertente erudita, ocupa um importante espaço e tem inúmeros adeptos; pode-se considerar a guitarra como um dos instrumentos mais explorados e apreciados em termos de número de concertos, público e gravações; já há muitos anos, desde os anos 60, que existem importantes concursos internacionais de guitarra, que visam lançar no mundo concertístico os seus laureados; como exemplo posso citar o concurso de Radio France de Paris, o concurso Alirio Diaz de Caracas, o concurso de Alessandria (Itália), o concurso Tarrega de Valencia e o concurso Giuliani de Bari. Como intérpretes de guitarra eu sou muito ligado ao meu mestre, Alirio Diaz e aprecio as históricas gravações de Andres Segovia; outros artistas de referência para mim são: Julian Bream e Pepe Romero (com os quais tive a oportunidade de estudar em Florença), John Williams, Oscar Ghiglia e Senio Diaz.

CC: e no contexto nacional?
PLB: A guitarra em Portugal tem uma história bastante recente e ainda está no caminho da afirmação; o público parece estar interessado no nosso instrumento; os concertos que dei em Portugal, infelizmente não muitos, tiveram sempre um óptimo êxito de público e de crítica. A minha previsão futura é positiva; como didacta, ensinei vários jovens extremamente dotados, que podem desenvolver uma carreira de intérpretes nos próximos anos.


CC: O que se poderia fazer para dinamizar a Guitarra Clássica, no contexto regional?
PLB: Na região o espaço concertístico reservado à guitarra é limitado; pessoalmente só dei um concerto aqui, em duo com Alirio Diaz, com enorme afluência de um atento público, por isso não me explico esta carência de eventos guitarrísticos. Preciso acrescentar que no Conservatório Regional, onde me encontro a leccionar, a guitarra é um dos instrumentos mais procurado em termos de número de alunos. Acho que deveriam ser oferecidas mais oportunidades ao nosso instrumento.


CC: Sabemos que teve o privilégio de conhecer de perto o Maestro Alirio Diaz. Tem algum episódio interessante ou curioso que possa referir?
PLB: Considero o M° Alirio Diaz um homem superior, não só como artista, mas também como filósofo e mestre de vida a 360°; tive a sorte de estudar com ele durante inúmeros anos e hoje estamos ligados por uma profunda e recíproca amizade e estima. Lembro a primeira vez que toquei em duo com ele: organizei um concerto dele em Piombino, a minha cidade, e ele poucos dias antes do acontecimento perguntou-me se podia tocar com ele; fiquei pasmado, para mim Alirio Diaz sempre foi o ídolo, desde miúdo; este pedido ultrapassou os meus sonhos; claramente aceitei o convite e pus-me a estudar as peças que ele me enviou pelo correio; depois do concerto ele disse "parabéns, correu muito bem, há quanto tempo a gente se conhece?" eu respondi "há um ano, Maestro" e ele: "Segovia nunca tocou comigo".


CC: O Professor esteve ligado ao Flamenco. Poderia resumir o seu percurso nessa área?
PLB: O flamenco puro como profissão para mim foi uma breve experiência; acompanhei uma bailarina, Maria Helena Villar, durante um ano, com um outro amigo guitarrista, Michele Di Maria, neto do bailarino José Greco. A técnica flamenca, rasgueados, tremolo, escalas, ..., bem como os estilos, Seguiriyas, Bulerias, Alegrias, Soleares, ..., são de grande importância e se podem aproveitar também na execução de obras eruditas, nomeadamente na interpretação de compositores espanhóis.


CC: e no Jazz?
PLB: A minha relação com o jazz (e o rock) faz parte de um longo passado, da minha adolescência anagráfica e musical, quando costumava tocar em grupos, em concertos e gravações. As "bands" que lembro com mais saudade são "Avant Propos" e "Moderno Assemblaggio", dois agrupamentos italianos dos anos 80, que deixavam muito espaço à pesquisa musical e à improvisação. Para a compreensão e complementaridade musical para mim foram fundamentais os cursos de aperfeiçoamento em que estudei na "Accademia Chigiana" de Siena de música para filmes com o compositor Ennio Morricone e de informatica musical com Jean-Baptiste Barriére da IRCAM de Paris.


CC: Quais foram as peças que escolheu para os 3 recitais que deu em Itália, no Verão de 2006?
PLB: Este ano em Itália apresentei três recitais diferentes: num, toquei em duo com Alirio Diaz obras de Mertz e música popular da Venezuela, nos outros interpretei composições de Corbetta, Scarlatti, Bach, Albeniz, Tarrega, Turina, Rodrigo, Castelnuovo-Tedesco, Villa-Lobos, .., algumas das peças mais importantes do reportório guitarrístico.


CC: Que perspectivas poderão ter para o futuro, os jovens que se inscrevem no Curso de Guitarra do Conservatório?
PLB: O Conservatório Regional é o primeiro passo para os adeptos do instrumento, para concluir os estudos é preciso tirar uma licenciatura, numa Universidade ou Instituto Superior, ulteriores 4 anos de estudo. Pessoalmente aqui tenho encontrado vários bons alunos. Sempre o meu objectivo didáctico é transmitir conhecimentos para enfrentarem o curso superior com toda a tranquilidade. Não gosto de homologar pessoas, cada estudante tem características próprias, físicas, técnicas e interpretativas; tento desenvolver o mais possível as peculiaridades de cada aluno; é improvável encontrar dois alunos meus que toquem da mesma maneira.


CC: Quais são as principais dificuldades que um músico/professor vindo do estrangeiro encontra na Madeira, no período de adaptação?
PLB: Pessoalmente não tive problemas de adaptação, quando cheguei aqui já falava português, pois antes vivi 4 anos nos Açores e 2 em Lisboa, embora as mudanças sempre criam dificuldades, me considero bastante aclimatado, gosto viver em sítios e contextos diferentes.


CC: e os principais atractivos?
PLB: A Ilha é um paraíso; as coisas que me fascinam mais são o clima e a natureza. Aqui tenho a oportunidade e o privilégio de apreciar o mar e a montanha no mesmo dia e dar agradáveis passeios de mota durante o ano todo; o lazer não falta aqui.

Luciano Lombardi e Alirio Diaz - 2006
Prof. Luciano Lombardi e Maestro Alirio Diaz 
A foto é de Cecilia S. Diaz, neta do Maestro.
publicado por Correcaminhos às 13:29
Olá.

O seu Blog merece estar em destaque (aqui: http://blogs.sapo.pt/destaques.bml).

Parabéns, boa continuação.
JoanaTorrado a 9 de Novembro de 2006 às 12:36
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